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LEMBRANÇAS
DO BRASIL:
As Capitais Brasileiras
Impresso com aprimorada qualidade gráfica, apresenta um acervo de mais de
seiscentas imagens, com cenas de interesse urbanístico, arquitetônico
e etnográfico, num extenso repositório visual
produzido pelos melhores fotógrafos
da época, constituindo um documento inestimável, já que muitas das
vistas são raridades e, em alguns casos, últimos remanescentes de
fotografias retratando cenários urbanos já inexistentes. Trata-se de
imagens que retratam a atmosfera da sua época, observada a partir dos
estilos arquitetônicos, dos modelos dos carros e até do vestuário dos
traseuntes, que permitem ao leitor realizar uma verdadeira viagem no tempo
e no espaço.
O percurso visual do livro inicia-se no Rio de Janeiro, então porta de
entrada e principal cidade do país, tomando como ponto de vista a viagem
de um turista vindo de além-mar, o qual após percorrer a antiga Capital
Federal e a região Sudeste, interna-se no país, visitando sucessivamente
as regiões Sul, Centro-Oeste, Nordeste e Norte, conhecendo as
quase
trinta cidades citadas na obra, todas elas capitais ou antigas capitais
estaduais e portanto as mais importantes do Brasil da época. Os textos,
que são resultado de exaustiva pesquisa bibliográfica, contam parte da
história daquelas cidades e, sobretudo, citam viajantes e cronistas,
reunindo depoimentos que dão vida as imagens.
Produto de mais de dois anos de pesquisa, desde o ponto de
vista da sua
iconografia, esta obra é sem dúvida a mais ambiciosa já editada sobre
o conjunto das capitais brasileiras, já que foram analisadas
mais de dez
mil imagens, foram consultadas mais de trezentas obras de referência e
contatados mais de cinqüenta especialistas sobre as cidades citadas. Também
foi realizado um completo trabalho de campo, visitando todas as
localidades retratadas e confrontando cada uma das imagens publicadas com
a situação atual daqueles logradouros: palácios e prédios públicos, residências,
ruas, praças, pontes e outros diversos cenários urbanos, constatando em muitos casos,
as mudanças quase completas daqueles locais
após a passagem, em alguns casos, de mais de um século.
CARTÃO-POSTAL,
O RETRATO DAS VELHAS CIDADES BRASILEIRAS
Prefácio de João Emilio Gerodetti
Após
termos concluído, com felicidade, nosso passeio pelo Estado de São
Paulo, por meio da trilogia Lembranças de São Paulo, propomo-nos a
estender nossas andanças pelo Brasil afora, pelas capitais
e ex-capitais dos estados, sempre por meio de imagens de ótima qualidade gráfica.
E
nosso passeio se fará, voltando no tempo,
à assim chamada "Época
de Ouro" do cartão-postal, que corresponde às primeiras
décadas do século XX, com ícones
maravilhosos das cidades brasileiras, onde
habilidosos, inspirados e, freqüentemente, anônimos
arquitetos ergueram palácios, fortalezas,
teatros, edifícios públicos e inteiros quarteirões
residenciais, com admirável requinte, num período em que a estética
certamente prevalecia sobre a funcionalidade.
Em
épocas recentes, visitei várias daquelas cidades
e, em algumas, ainda pude ver esquícios
desse glorioso passado arquitetônico, como é o caso
do Rio de Janeiro, onde afortunadamente ainda restam muitos imóveis
preservados; Salvador, onde está havendo uma eficaz obra de restauro do
seu centro, ou, ainda, Ouro Preto, que está quase intacta.
Brasília,
nossa capital, farta e admiravelmente documentada por meio de fotos,
muitas delas aéreas, será visitada na época de sua construção, na década
de 1950.
As
cidades, entretanto, como as que poderão ser vistas nas páginas deste
livro, correspondem a imagens do passado, muitas das quais somente existem
nos postais e álbuns de lembranças.
E
toda essa obra nos foi dado conhecer, por mérito dos fotógrafos
e
editores da época, muitos dos quais também anônimos, que, com sua
refinada arte, nos deixaram esses postais e álbuns,
que constituem o melhor acervo iconográfico das velhas cidades brasileiras.
Assim,
mais uma vez, queremos compartilhar com nosso
público o prazer de olhar esses antigos e belos retratos, fazendo votos, também, para que esta obra
possa contribuir para reforçar uma mentalidade que, felizmente,
já se
instalou em nossa gente: a da preservação do patrimônio histórico e
artístico que, em muitos casos, ainda é considerável.
UM
DOCUMENTÁRIO ALÉM DA SAUDADE
Prefácio de Carlos Cornejo.
A
Belle Époque, nos primórdios do século XX, foi considerada uma
época de esplendor, com desenvoltura de costumes e formas de pensar peculiares.
Uma de suas manifestações foi a moda de intercambiar cartões-postais,
com cenas coloridas e atraentes que denotavam uma visão de mundo
otimista.
O
cartão-postal revelou-se, desde sua criação, uma inovação
artisticamente significativa e uma inestimável fonte de imagens para a
história das cidades, já que, pelo fato de registrar vistas de um mesmo
local em diversas épocas, se transformou num documentário, retratando a
dinâmica da transformação urbana e social.
Visto
em retrospectiva, o cartão-postal veio confirmar sua importância como
uma das mais valiosas fontes iconográficas sobre as cidades do Brasil,
assim como a transcendência da cartofilia que, ao resguardar as vistas
estampadas nos cartões-postais, preserva parte da memória histórica,
coletiva e privada.
Um
documentário muito além da saudade, o postal fazia parte do cotidiano
das pessoas de um jeito que hoje é difícil imaginar. Os cartões-postais
eram concebidos como peças artísticas e
reproduzidos por artistas gráficos com auxílio
de técnicas aprimoradas de impressão. Na sua época de
ouro, o cartão-postal era um meio de comunicação eficiente, que
permitia a troca de mensagens breves, acrescidas de uma imagem. Quando a
fotografia ainda era coisa de profissionais, o cinema engatinhava e
inexistiam o rádio e a TV, os postais eram uma importante referência
visual, em certo sentido, precursores dos modernos meios de comunicação,
retratando locais significativos das cidades, cenas típicas e pitorescas,
tipos populares e personalidades, já que nada escapava à curiosidade
insaciável dos fotógrafos, ávidos por atender um público ansioso por
novidades.
As
mensagens daqueles postais veiculavam impressões de viagem, comentários,
notícias, lembranças, felicitações, agrados, declarações
amorosas, reclames, simples lembretes ou lacônicas
saudações. O postal oferecia uma visão idealizada da realidade que era compartilhada com aqueles que
ficavam distantes. Era uma forma de dizer: "gostaria que estivesse
aqui", "olha onde minha viagem me trouxe", "desfrute
da beleza desta paisagem tanto quanto eu". Imagens dispersas por
todos os quadrantes que permitiam percorrer cidades remotas e compor um
mosaico da beleza múltipla do Brasil.
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