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NAVIOS
E PORTOS DO BRASIL
Nos
cartões-postais e Álbuns de Lembranças |
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Formato fechado 23x32cm. Capa dura com plastificação. 220 páginas a 4 cores,
papel couché 170g., 520 imagens. R$ 138,00 |
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APRESENTAÇÃO
NAVIOS
E PORTOS DO BRASIL
Num
momento em que o transporte aéreo nacional entrou em colapso e cada vez
mais presencia-se a chegada de grandes navios de cruzeiro ao País, NAVIOS
E PORTOS DO BRASIL, editada através da Lei de Incentivo à Cultura, com o
patrocínio da Companhia Vale do Rio Doce, é uma obra de atualidade, a
mais completa em termos históricos até agora publicada sobre o assunto,
com um acervo de mais de quinhentas imagens, retratando os navios de todas
as bandeiras em que vieram os antepassados de milhões de brasileiros. Um
livro que rememora os trágicos afundamentos de dezenas de navios de
passageiros nacionais por parte de submarinos alemães durante a Primeira
e a Segunda Guerra Mundial, determinando a entrada do Brasil naqueles
conflitos, e as grandes catástrofes acontecidas em águas nacionais, como
os naufrágios dos navios Príncipe de Asturias e Principessa Mafalda, com
centenas de vítimas. Mas, um livro que resgata também o glamour das
viagens transatlânticas, com suas noites de gala e a vida ociosa a bordo
durante as longas travessias...
NAVIOS
E PORTOS DO BRASIL é um livro de caráter iconográfico que resgata a
história da navegação fluvial, costeira e oceânica no Brasil, num
período que vai de aproximadamente 1900 até a época de ouro da
navegação transatlântica, que finda na década de 1960, num vasto
trabalho de resgate e recuperação de um acervo visual em vias de
desaparecimento, com imagens contidas em cartões-postais e álbuns de
lembranças, as quais retratam aspectos de interesse histórico e não
foram até agora devidamente preservadas nem valorizadas na sua
surpreendente dimensão humana.
A obra, editada através da Lei de Incentivo à Cultura, com o patrocínio
da Companhia Vale do Rio Doce, contém capítulos sobre a história da
criação da frota mercante nacional e percorre, como faria um turista
daquela época, as dezenas de rotas que serviam as vias fluviais e
costeiras, com embarcações que marcaram época, através de companhias
como o Lloyd Brasileiro, a Companhia Nacional de Navegação Costeira e
outras, que serviam os portos marítimos do país, além de vias fluviais
como os rios Amazonas, São Francisco e Paraná.
Um capítulo especial aborda a Marinha do Brasil, com imagens de famosos
navios da esquadra nacional. Outros importantes capítulos são dedicados
à história dos principais portos nacionais, como os de Manaus, Belém,
Recife, Salvador, Vitória, Rio de Janeiro, Santos, Paranaguá, São
Francisco, Itajaí, Florianópolis, Rio Grande, Porto Alegre e Corumbá,
com cenas dos cais e navios atracados, da azáfama intensa dos
carregadores, do embarque e desembarque de passageiros e da chegada de
imigrantes.
Também é destacada a navegação oceânica, que na época mantinha o
Brasil em contato com o mundo, através de transatlânticos brasileiros
que faziam a linha regular para a Europa e através dos navios de
importantes companhias internacionais que serviam portos brasileiros, como
as alemãs Hamburg-Amerika Linie, Norddeutscher Lloyd e
Hamburg-Südamerikanische, com os lendários navios Cap Polonio e Cap
Arcona. A Mala Real Inglesa, com seus navios Alcantara, Almanzora,
Araguaya e Amazon. Companhias italianas como o Lloyd Sabaudo e a
Navigazione Generale Italiana, com seus transatlânticos Giulio Cesare e
Augustus. As francesas Compagnie de Navigation Sud-Atlantique, Compagnie
de Messageries Maritimes e Chargeurs Réunis, com seus navios Ville de Rio
de Janeiro e Ville de Pernambuco. A portuguesa Companhia Colonial de
Navegação, o Lloyd Real Holandês e a japonesa Osaka Shosen Kaisha.
Outros capítulos são dedicados aos passageiros que utilizavam aquele
meio de transporte, turistas e imigrantes de diversas nacionalidades,
assim, como ao glamour das viagens transatlânticas, em imensos navios,
verdadeiras cidades flutuantes, com milhares de passageiros e tripulantes,
retratando cenas da vida a bordo, a rotina em alto-mar, os camarotes para
as diversas classes, a elegância dos jantares a bordo, os suntuosos
salões de baile, os jogos no convés e as típicas brincadeiras.
Entre muitas outras, a obra contém cenas dos cais apinhados de pessoas
que iam despedir ou saudar os viajantes, da pompa com que eram recebidas
as viagens inaugurais dos grandes navios, das verdadeiras formigas humanas
que eram os carregadores de café, formando filas com as sacas nas costas,
e da saga do navio Kasato Maru que trouxe ao país a primeira leva de
imigrantes japoneses.
Também são abordadas as grandes catástrofes marítimas, com naufrágios
que comoveram a opinião pública nacional, tais como a explosão, em
1906, do encouraçado Aquidabã da Marinha do Brasil; o afundamento no
litoral da Ilha de São Sebastião, em 1916, do transatlântico Príncipe
de Asturias, enquanto os passageiros celebravam o Carnaval, com um saldo
de 450 vítimas (o maior desastre ocorrido em águas brasileiras), e o
afundamento de 21 navios mercantes e de passageiros nacionais por
submarinos alemães e italianos durante a Segunda Guerra Mundial, sendo a
maior tragédia a do Baependi, ao norte de Salvador, de cujos 233
passageiros e tripulantes, 215 pereceram, precipitando a entrada do Brasil
no conflito.
Enfim, uma obra de excelente qualidade gráfica, rica em conteúdo,
ilustrada por fotografias até agora inéditas ou desconhecidas, que
poderá tornar-se uma importante fonte de consulta já que é a mais
completa em termos iconográficos até agora realizada sobre os navios e
portos do Brasil, perpetuando preciosas imagens para uso e contemplação
das gerações futuras.
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O
DESFILE DE PALÁCIOS FLUTUANTES PELO ESTUÁRIO
O
lançamento desta obra de João Emilio Gerodetti e Carlos Cornejo
representa um desafio para quem se empenhar em superá-la, pois tem
conteúdo difícil de ser reunido. Outro ponto favorável é a
objetividade, aliada à leveza dos textos. Mas tarefa mais hercúlea ainda
será ultrapassar o farto recheio de ilustrações de cartões-postais e
fotografias, clicadas por simples ou renomados fotógrafos do século
passado, muitas inéditas, que recuperam épocas românticas para o olhar
da modernidade.
Este livro se propõe a preservar a história dos nossos principais portos
e dos navios de várias bandeiras, pertencentes a célebres empresas de
navegação, como o Lloyd Brasileiro, a Companhia Nacional de Navegação
Costeira, a alemã Hamburg-Süd, a francesa Chargeurs Réunis, a Italia di
Navigazione, a portuguesa Companhia Colonial de Navegação, a espanhola
Ybarra y Cía., entre outras. Os navios da Marinha do Brasil também são
contemplados, com imagens e memórias de célebres vasos bélicos,
cruzadores, contratorpedeiros, submarinos e navios-escola.
Sempre fui intenso admirador de transatlânticos. Lembro que o primeiro
que vi entrar em Santos, lá pelos idos de 1950, foi o britânico Andes,
da Royal Mail Line, mais conhecida no Brasil como Mala Real Inglesa. Nas
primeiras sete décadas do século XX, o Porto de Santos apresentava
intenso movimento de passageiros, tão intenso como hoje têm os
aeroportos. Em alguns dias, registrava-se a escala de até cinco
transatlânticos. A entrada de um navio de passageiros era um verdadeiro
espetáculo. Eram muitas pessoas que chegavam - e milhares que iam
esperá-las.
No porto, havia risos e lágrimas, gritos alvissareiros e silêncios
comovidos, acenos de lenços e de mãos, quando um navio de passageiros
atracava no cais, numa época em que a Cidade era a porta de entrada e
saída dos viajantes - passageiros das mais variadas nacionalidades,
imigrantes, artistas, políticos, empresários e dignatários da Igreja.
Para os santistas, dia de transatlântico no porto era de alegria - e
sempre houve um lugar muito especial para admirar o desfile dos palácios
flutuantes pelo estuário. Era a passarela natural da Ponta da Praia, com
uma calçada amurada que era e é o mirante onde apaixonados ou apenas
curiosos admiravam e ainda admiram o entra-e-sai dos navios.
Foi da Ponta da Praia - local inesquecível e inefável - que registrei na
retina, para toda a eternidade, os navios de passageiros, e comecei a
admirá-los cada vez mais e mais. Todas as vezes que um transatlântico
zarpava e eu estava na Ponta da Praia, contemplava a sua silhueta em
movimento, até desaparecer no horizonte do mar...
A partir deste livro, quem no Brasil escrever ou comentar sobre navios e
portos do passado, terá que conferir o que João Emilio Gerodetti e
Carlos Cornejo deixam registrado nesta maravilhosa obra.
Prefácio
de Laire José Giraud
A
VIA DO ATLÂNTICO
Este
prefácio é sobretudo um prelúdio para o leitor, que muito em
breve e através deste livro embarcará numa extraordinária
viagem no tempo e no espaço, em texto e imagem.
Para aqueles que nunca tiveram a oportunidade de efetuar uma
travessia oceânica será uma experiência metafísica, através
da imaginação. Para outros, que já navegaram em alto-mar, será
o retorno de sensações inesquecíveis. Para todos aqueles cujos
ascendentes ou familiares atravessaram o oceano com destino aos
países de imigração, será uma fonte de informação e de
história.
O leitor viajará em centenas de navios e tocará portos nunca
antes visitados, dobrará cabos e promontórios, avistará torres
e luzes de faróis, verá o azul-cobalto das águas profundas e
peixes-voadores atravessando as proas, avistará auroras e
crepúsculos que só no horizonte do mar são tão espetaculares.
Viverá no bojo dos transatlânticos o luxo e a riqueza da
primeira classe, a modéstia e simplicidade das classes
inferiores, o labor dos marinheiros e o ócio dos passageiros.
Sentirá as alegrias e as tristezas de partidas e chegadas,
agitará os lenços brancos nas despedidas e ouvirá os vibrantes
apitos que marcam o começo de uma viagem sem-fim. O primeiro
contato que tive com "os palácios brancos flutuantes"
aconteceu em setembro de 1949, quando o Conte Grande, restaurado e
reformado após a guerra, escalou em Santos com destino à Europa.
A partir deste primeiro momento "mágico", outras
visitas a bordo aconteceram e assim, pouco a pouco, fiquei
inoculado com o fascínio por transatlânticos, portos e navios em
geral.
Não posso deixar de aceitar e de tecer elogios a esta nova
iniciativa dos autores já que me sinto bem capacitado para
afirmar que, até os dias de hoje, nada de similar foi publicado
em nível nacional ou mesmo internacional. A publicação deste
livro excepcional representa um marco importante na preservação
da memória coletiva e uma herança de grande valor para a cultura
brasileira, visto que a história do País é essencialmente uma
história marítimo-fluvial. Desde os remotos tempos das grandes
navegações e descoberta até meados do século XX, o Brasil
colonial ou independente só existiu nas faixas costeiras
marítimas ou fluviais. Os contatos entre cidades e povoados ao
longo do vasto litoral nacional só eram possíveis através da
navegação marítima e a lenta penetração para o interior das
terras brasilienses aconteceu através dos caminhos fluviais. Do
Oceano Atlântico vieram os descobridores, os exploradores, os
colonizadores, os aventureiros, os invasores, os nobres
portugueses da Corte Real, os escravos da África, os imigrantes
da Europa e da Ásia, as máquinas desbravadoras, as religiões e
os cultos, a carga cultural e civilizadora com todos os seus
prismas positivos e negativos.
Os portais de entrada desse gigantesco fluxo foram os portos, os
quais floresceram por dezenas do norte ao sul da imensa costa
brasileira.
Prefácio
de José Carlos Rossini
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